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Como pagamos nossa viagem de bike?

Outra pergunta frequente: “Como fazemos para nos sustentar na estrada?”. Primeiro, juntamos dinheiro antes de viajar! Foram tempos sem bar (nem tanto rs), sem restaurante e sem gastos desnecessários. A gente também havia voltado a morar com os pais (e assim se corta as despesas com aluguel). Compramos com a grana guardada as bikes, os alforges, barraca e o fogareiro. Já tínhamos equipamentos de escalada, itens de fotografia, mochilas e roupas. E também ganhamos algumas coisas dos amigos e parentes.

Bikes carregadas na estrada!
Nossas bikes carregadas na estrada de Pocinhos do Rio Verde até Andradas (MG)

Quando começamos a viagem, rolava tanto medo de que o dinheiro acabasse, que a gente não gastava nadica de nada: pedimos comida em restaurantes, padarias e mercados, dormimos na beira da estrada, posto, base da polícia, ginásios de quadras poliesportivas e casas de pessoas muito generosas. Gastamos grana só com a compra de macarrão, granola, pasta de dentes e coisas assim. Sabe quanto deu o total de gastos desse primeiro mês? 61 reais!

Isso mesmo, você não leu errado!

Dividido por nós dois e pelos 30 dias do mês, deu o gasto de um real por dia, para cada um. Agora você, que pensa que deve ser muito caro fazer uma viagem pelo mundo, me diga se alguma vez gastou 30 reais em um mês, vivendo uma vida “normal”?

Depois de um tempo, passamos a cozinhar mais e a comprar (e não pedir rs) os alimentos no mercado, o que ainda é barato, pois nas cidadezinhas em que passamos tudo é a metade do preço de uma cidade grande. Quando ficamos mais dias em algum lugar, pagamos por camping, abrigos de escalada (tipo uma casinha para os escaladores ficarem perto da montanha) e pousadas. Mas ainda assim, gastamos muito menos do que o que a gente gastava para morar em São Paulo ou Sorocaba.

Viajar não é tão caro quanto se pensa. É uma questão de prioridade: você junta dinheiro para comprar um carro ou para fazer uma grande viagem? Só o que se gasta para viver uma vida convencional, com aluguel, carro, roupas, restaurantes e bares, não chega perto do que você gastaria em uma viagem de bicicleta com uma barraca e um fogareiro.

Para ganhar uma grana enquanto viajamos, fizemos e fazemos várias coisas diferentes. A Dea trabalhou um tempo com fotografia e tinha uma pilha de fotos impressas guardadas em casa, que levamos para vender nas praças. Não dá muito dinheiro e rende melhor em locais turísticos, mas é uma ajuda. O pessoal também prefere as fotos em que aparecem a gente ou nossas bikes no contexto. Agora também imprimimos adesivos, com um design nosso mesmo, desenvolvido no Photoshop, do jeito que deu pra fazer rs! Já fotografamos pousadas em troca de hospedagem e vendemos fotos em bancos de imagens online. É possível realizar muitos trabalhos pela internet, desde que a gente não fique dependente de ter wifi o tempo todo, pois gostamos mesmo é de ficar no meio da natureza, isolados de qualquer sinal. Também já recebemos ajuda da família em alguns casos, como na passagem que nos deram para passarmos uns dias em São Paulo.

Nosso primeiro dia de vendas de fotos!
Nosso primeiro dia de vendas de fotos!

Se você está curioso sobre os valores exatos da nossa viagem, nem nós sabemos mais rs! A gente ganha o dinheiro com a venda das fotos, depois gastamos esse mesmo dinheiro e também usamos nossas economias. Anotamos muitos valores e esquecemos de anotar muitos outros. Não queremos nos preocupar muito com isso, e sabemos que se um dia acabar a grana, podemos voltar a pedir comida e conseguir juntar mais umas economias. Vamos dar um jeito e curtir o que aparecer.

Mas se quiser uma referência de orçamento, o casal de cicloviajantes do Pedarilhos criou um post bem legal com todos os valores que eles gastaram em dois anos pela América Latina: Custo total de uma viagem de bike por 2 anos. Não é nada impossível de conseguir colocar em prática, né?

Na estrada conhecemos muitos outros viajantes, cada um com sua maneira de sustentar a trip, nada tão complicado assim. Uns fazem malabares, artesanato, sanduíches naturais, fotos, poesias… Outros vivem de freelancers de design, arquitetura, tradução, marketing, etc. Ainda há os que obtêm uma renda do aluguel de algum imóvel próprio e investimentos em fundos. Muitos trocam hospedagem e alimentação por serviços de jardinagem, pintura,  consertos e mão de obra geral. Todo tipo de renda é possível. Mas você vai fazer mais amigos que dinheiro rs!

No final das contas, é mais fácil do que parece. Tudo se torna uma possibilidade de ganhar dinheiro, quando você não busca e nem precisa ter muita grana. Isso se torna secundário, pois a gente começa a perceber que não vai faltar comida e água enquanto pudermos pedir. O chão serve de lugar para dormir em qualquer lugar do mundo. Banheiro existe em qualquer mato. Um dia temos mais conforto, no outro temos menos, mas o essencial está sempre conosco. Sem contar que na estrada a gente percebe que tem muita gente boa que quer nos ajudar, às vezes até  mais do que precisamos!

Se tiver mais perguntas para nós, deixe um comentário! Se tiver ideias de trampos, relatos de experiências, escreva também! Esse é um assunto que sempre enriquece trocar com as pessoas.

E bora colocar o pé na estrada, pois dinheiro não é desculpa nãaaao!

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Daqui um dia, um mês, um ano, sei lá quando, o blog fica pronto… Ficou!!!

Faz um ano, três meses e cinco dias que saímos de São Paulo com nossas bikes para viajar pelo Brasil. A gente queria era cair na estrada logo, então na época nem nos preocupamos em fazer blog, Face, Instagram, nada… Na verdade foi corrido até para fazer uma despedida com os amigos rs. Depois de mais ou menos um mês de viagem criamos uma conta no Instagram e no Facebook para atualizar nossos amigos sobre nossas andanças e trocar experiências com outros viajantes (e futuros viajantes). Ficamos surpresos de ver pessoas do Brasil inteiro que começaram a nos encontrar e escrever para a gente, pedindo dicas de bike, de viagem, demonstrando apoio e solidariedade, teve até gente nos oferecendo a casa para a gente ficar. Tentamos dar o máximo de informações possível por mensagens, mas muitas vezes percebíamos que o ideal seria se aprofundar no assunto em uma página.

Dissemos para muita gente que o blog estaria pronto em “uma semana”. Depois começamos a dizer que era “um mês”. Então mudou para “em breve”… Hahaha a gente mesmo quase não estava mais acreditando na inauguração desse blog!

Mas aqui estamos! Já escrevemos algumas coisas sobre a gente, nosso projeto, o roteiro e as “tralhas” que estamos levando. Nossa ideia é adicionar muito mais informações sobre as bikes, os lugares que conhecemos, nossas coisas, a rotina. Assim como contar os perrengues que passamos, os momentos mágicos, os medos, as esperanças.

No post anterior está o link para o vídeo que fizemos de um ano de viagem! Se não tiver visto ainda, dá uma olhada lá.

Ah, e deixem nos comentários aí embaixo, ideias para os próximos posts, o que gostariam de saber e curiosidades sobre as bikes e os equipamentos! Aos poucos vamos escrevendo e colocando procêis!

Valeeeu demais galera por estarem junto com a gente nessa viagem! Que seja um começo para a sua viagem! Boas vibrações, bons ventos e muuita gratidão! =)

Um ano de viagem e um vídeo para comemorar!

Há um ano que estamos na estrada! E para comemorar um ano, fizemos um vídeo com os melhores momentos!

365 dias, 52 semanas, 3.385km. Podemos contar os dias, a distância, os locais que passamos, os perrengues, os quilos que levamos, os capotes, a temperatura, os litros d’água e um tanto mais de coisas.

Mas o melhor da viagem é impossível de contar nos dedos: nossa infinita gratidão por todas as boas vibrações que recebemos de pessoas lindas. O apoio da nossa família, o entusiasmo de nossos amigos, as buzinadas animadoras da galera que cruza com a gente na estrada, a generosidade de quem nos acolhe em sua casa, a curiosidade das crianças, as mensagens carinhosas recebidas. 

Deixamos pessoas queridas em SP e muitas vezes a saudades bate forte. Mas também conhecemos pessoas de realidades tão diferentes da que vivíamos, pessoas que jamais encontraríamos, e que hoje são nossos novos amigos de coração. E isso não tem preço, não tem conta, nem cabe dentro da gente tamanha gratidão.